Trabalhadores da educação municipal de Redenção do Gurgueia sofrem sem reajustes
Prefeito encaminha em caráter de urgência Projeto de Lei que “Dispõe à alteração da Estrutura dos Cargos Comissionados, Funções Gratificadas e Servidores Efetivos"
Publicado: 31 Março, 2022 - 14h42 | Última modificação: 31 Março, 2022 - 18h40
Escrito por: Socorro Silva-CUT-PI

Redenção do Gurgueia, cidade com pouco mais de 8.000 habitantes, vive uma realidade agravante no setor da educação municipal. Professores e Professoras estão há 06(seis) anos com seus direitos congelados, no que consiste ao Plano de Carreira. Segundo denúncia do Sindicato dos trabalhadores em Educação da cidade acima citada (SINTERG).
O SINTERG, através de sua Presidente Paulinete Alves Borges, vem a público denunciar que diante do cenário em que se encontra o setor municipal da educação da cidade, a luta tem sido árdua, e que tem tentado manter diálogo com a Secretaria Municipal de Educação, sem obter sucesso, o que causa o sentimento de insatisfação para toda a categoria de trabalhadores e trabalhadoras. Tendo em vista que além de estarem há 06 anos sem reajustes salariais, os professores não tem mais carreira, vivem hoje do salário base, ficando este abaixo de quase todas as categorias salariais municipais.
Todas as tentativas de se manter uma conversa com a secretaria de educação, quando se consegue vem acompanhada de uma resposta imediata: "NÃO TEM DINHEIRO". Porém, segundo o SINTERG, no dia 28 de março, o Prefeito de Redenção do Gurgueia, Sr. Ângelo José Sena Santos encaminhou em caráter de urgência, para a Câmara Municipal da cidade um projeto de lei que cria e modifica 26(vinte e seis) cargos comissionados para a Secretaria Municipal de Educação, o Projeto de Lei nº 006/2022, que visa o reajuste do vencimento dos serviços efetivos do Município de Redenção do Gurguéia-PI.
A luta do SINTERG, segundo a presidente é constante, em busca de que se possa construir um diálogo e encontrar uma solução imediata que venha mudar essa situação em que vivem os profissionais da educação municipal. Tanto, que a última conversa com a Secretaria de Educação da cidade aconteceu no último dia 25 de fevereiro, quando então houve uma "Promessa" de realizarem uma avaliação sobre a realidade, e que haveria posteriormente uma nova conversa no dia 25 de março, completando assim 30(trinta) dias. Mais uma vez a decepção foi a mesma, a secretária desmarcou a reunião alegando o mesmo problema e a resposta para o “não tem dinheiro” foi o projeto de Lei de “cabide de emprego”.
O SINTERG, mais uma vez denúncia que "um município pequeno, onde existem apenas 10(dez) escolas municipais, praticamente pequenas, uma secretaria não comporta essa quantidade de cargos".
"Hoje a desvalorização do professor em Redenção do Gurgueia é tamanha. Com a não aplicação total do piso salarial de 2017 de 7,64%, a diferença da classe B (professor graduado) para classe A (professor sem graduação) caiu de 30% para 3,88%, (o que significa que não precisa estudar), com o congelamento das vantagens, o professor tem uma perda em média de R$1.000,00 a R$1.600,00 por mês. Somando isso durante um ano, e durante 6 anos...?!! Qual seria o tamanho dessa perda? Que estímulo tem esse professor que depois de anos e anos de trabalho recebe como prêmio os seus direitos usurpados?". Lamenta, Paulinete Alves, presidente do SINTERG.
A Realidade da Educação Municipal de Redenção do Gurgueia segundo o SINTERG:
São quase 200(duzentos) professores efetivos e não efetivos na região;
As escolas diante da pandemia no formato virtual vivenciaram um momento crítico, onde de 10 escolas, somente 01 tinha internet, as demais não disponibilizavam. Os(as) professores(as) que tiveram de se virar, se viram obrigados(as) a colocar internet em suas casas, professores(as) tiveram que comprar celulares, porque o município não deu nenhum suporte para os(as) profissionais de educação. Mesmo com os salários congelados, ainda assim, os(as) trabalhadores(as) foram obrigados(as) a adquirir tais estruturas. Pois caso não cumprissem com a demanda das aulas o desconto seria registrado em seus contra cheques. No entanto, não teve nenhum suporte para os(as) professores(as) e muito menos para os(as) alunos(as).
"Na zona rural, as escolas não possuem nenhuma estrutura de funcionamento, não possuem computadores". SINTERG.
"Em Redenção do Gurgueia, tudo é centrado na questão dos(as) professores(as), que tem que se "virar", para se adequar a essa situação que é imposta pela prefeitura, caso contrário, o profissional da educação municipal tem que tirar do seu dinheiro, que é pouco tendo em vista a realidade, com salários devasados, para poder ter uma estrutura "adequada" como comprar celular, ter internet wifi para poder dar aulas". Concluiu, Paulinete.
O SINTERG foi fundado em 2006, e vem lutando em defesa dos direitos da classe trabalhadora incansavelmente, realizando greves, buscando o apoio da sociedade, e de seus(as) associados(as), e não cruza os braços quando se trata dos(as) profissionais da educação.
Fonte: SINTERG