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Persistir na luta contra o racismo é uma bandeira de todos os dias

A pandemia trouxe o desemprego, a violência e só a unidade de classe pode vencer essas barreiras

Publicado: 18 Novembro, 2020 - 10h19 | Última modificação: 18 Novembro, 2020 - 14h48

Escrito por: Socorro Silva-CUT-PI

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Em todo Brasil é celebrado em novembro o mês da Consciência Negra. Seu marco é o dia 20 de novembro, data relacionada à morte de Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares, situado entre Alagoas e Pernambuco.

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na Região Nordeste do Brasil.

O Quilombo dos Palmares era símbolo de luta e resistência contra a escravidão e referência à liberdade e autonomia de um povo que durante mais de três séculos vinha sendo brutalizados, arrancados à força de sua terra natal, a África, trazidos a outro continente para servir e produzir no nascente Brasil colonial. Foi nesse contexto hostil que nasceu o nosso país. Por isso, tudo o que foi gerado, produzido, construído se deve às mãos negras dos Africanos e seus descendentes.

Socorro Silva-CUT-PISocorro Silva-CUT-PI

Para Antônia Ribeiro - Secretária de Combate ao Racismo da CUT-PI "A situação de violência que vive as mulheres negras no Brasil, tem aumentado ao longo dos anos, e no último período passou a compor o cotidiano da nossa sociedade, e nesse período  devido a pandemia, ela ocorre em todos os espaços e atinge a todas e todos, mas de marca mais relevante na sociedade nas periferias de grandes cidades, e com muitos assassinatos cometido no país, nesse contexto soma-se a violência sexista, aquela violência praticada pelo homem sobre as mulheres baseada nas desigualdades existentes, que reforça o sistema capitalista, patriarcal, racista e assista. Essa violência contra as mulheres, principalmente contra as mulheres negras, é responsável pelo maior número de feminicídios, crime praticado contra a mulher por razão da conjunção  do sexo feminino, e essas desigualdades pioram quando somadas ao racismo, os indicadores sociais brasileiros quando avaliados na perspectiva das mulheres negras revelam o contexto de desigualdades, e potencializam o risco de vida, prejudicam o acesso a justiça, e outros serviços que deveriam ser garantidos pelo estado, e reforçam caminhos de desvalorização da vida". Disse.

"O desequilíbrio de poder presente nos diversos espaços, como sociedade, trabalho e organizações sociais, a exemplo do movimento sindical, expõe milhões de mulheres a diversas formas de violência, e de controle de suas vidas e de seus corpos". Citou.

Mês da Consciência Negra:

"O Dia 20 de Novembro, celebramos o dia da consciência negra, durante todo o mês que nos arremete o quanto temos que discutir o quanto é importante defender a vida, temos muito que discutir sobre a população negra,  precisamos entender que vidas negras importam, no nosso país precisamos discutir com toda a sociedade, com todos os povos, com todos os movimentos, para combater essa cultura racial que se é instalada em nosso país. Precisamos construir uma luta coletiva, para defesa da população negra, vamos fazer uma reflexão sobre essa população, conhecer suas histórias, sua cultura, para que possamos somar na unidade, e combater a discriminação racial, contra as mulheres negras, e todas as mulheres do Brasil e mundo". Concluiu.

Mas, por que a referência à Zumbi e ao Quilombo dos Palmares?

Em meados do século XVII o Quilombo era referência de produtividade, sustentabilidade e fartura. Sua economia era baseada na agricultura. Produziam para consumo interno e geravam excedentes para comercialização com as fazendas da região. Nesse período, a monocultura da cana de açúcar gerava miséria e escassez de alimentos. Por isso a população de Palmares era símbolo de prosperidade e organização social. Isso gerou embates com o sistema econômico da época e o Quilombo foi destruído e sua população brutalmente dizimada.

O Quilombo dos Palmares foi uma república em pleno período colonial e escravocrata! Sua população com cerca de 20 mil habitantes trabalhava de forma coletiva. Seu aniquilamento, contudo, não matou a memória dos que fizeram. Daí a importância do 20 de novembro em nossa sociedade atual. Assim como o Quilombo dos séculos XVI e XVII, tentamos hoje construir novas trajetórias.

Hoje a população negra brasileira corresponde a mais de 50% da população geral

Ainda sofremos fortes resquícios de uma sociedade que foi construída a partir da subserviência e exploração econômica e, como bem colocou Darcy Ribeiro: escravos ontem, hoje sub assalariados. Por isso, quando empreendemos estamos dizendo não aos empregos exploratórios.

Quantas empreendedoras somos tendo como origem nossa herança negra? Quantas somos afro brasileiras e afro empreendedoras? Qual a importância em reconhecermos e evidenciarmos nossa origem?

Como o Quilombo dos Palmares, somos símbolo de resistência e referência para esta maioria da população que precisa reconhecer e valorizar sua herança, nossa cultura.  A data de 20 de novembro é um importante marco para refletirmos sobre nosso legado e conhecermos verdadeiramente nossa origem e identidade.

Desemprego tende a aumentar ainda mais entre pretos e pardos em 2021, aponta FGV

Segundo pesquisador, programa de suspensão de contratos e redução de jornada de trabalho foi mais intensa entre os pretos e pardos e isso deverá ter ‘efeito rebote’ no ano que vem.

A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus promoveu mudanças estruturais no mercado de trabalho que tendem a intensificar ainda mais o desemprego entre pretos e pardos em 2021. É o que aponta o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Neri.

Segundo o pesquisador, que é diretor da FGV Social, pretos e pardos foram os mais beneficiados pelo Programa de Preservação de Emprego e Renda instituído pelo governo federal diante da pandemia, que permitiu a suspensão de contratos e redução das jornadas de trabalho.

Por meio do programa, os trabalhadores que tiveram o contrato suspenso ou a jornada reduzida passaram a receber o Benefício Emergencial (Bem), pago pelo governo. As empresas, em contrapartida, ficaram obrigadas a garantir a estabilidade dos trabalhadores por um período igual ao da suspensão dos contratos ou redução da carga horária.

Neri aponta que o desemprego – que avançou muito mais entre pretos e pardos que entre os brancos – foi atenuado pelo programa do governo. Mas ele prevê que haverá um “efeito rebote” tendo em vista a lenta recuperação da economia diante da crise provocada pela pandemia.

“Gradativamente, é de se esperar que as firmas aumentem as demissões. Então, a gente acha que o desemprego tende a aumentar mais depois de 31 de dezembro, quando termina a validade desse programa que pode ter sido até mais importante para pretos e pardos, porque ele tende a beneficiar mais a base do mercado de trabalho”, destacou o pesquisador.

Ao processar os microdados da Pnad-Covid, versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua criada pelo IBGE para avaliar os efeitos da pandemia sobre o mercado de trabalho, a FGV Social constatou que os pretos e pardos tiveram queda superior do número de horas trabalhadas na comparação com os brancos.

“A nossa hipótese é que essa redução do número de horas trabalhadas foi efeito do programa temporário de suspensão de contratos e redução da jornada de trabalho”, disse Neri.

Piora nos indicadores do mercado de trabalho e educação

Os dados oficiais do mercado de trabalho divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério da Economia apontaram que pretos e pardos foram os mais afetados pela crise provocada pela pandemia.

O desemprego aumentou entre todos os grupos raciais, mas com mais intensidade entre os pretos. A ocupação no mercado de trabalho foi reduzida de modo geral no país, mas também foi mais expressiva entre os pretos. Para o economista Marcelo Neri, da FGV, esses efeitos tendem a ser de médio a longo prazo.

“A pandemia trouxe piores efeitos trabalhistas, e esses efeitos são importantes porque vão persistir após a pandemia, porque são estruturais”, enfatizou o pesquisador.

 

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