• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
MENU

CUT-PI move ação civil pública para tentar barrar reabertura do comércio

Dados da SESAPI registram um total de 1.411 novos casos e 14 mortes em 24 horas no estado do Piauí

Publicado: 28 Julho, 2020 - 16h40 | Última modificação: 29 Julho, 2020 - 09h44

Escrito por: Socorro Silva-CUT-PI

Reprodução
notice
Ação Civil Pública contra a reabertura do comércio em Teresina

A Central Única dos Trabalhadores no Estado do Piauí, entrou com uma Ação Civil Pública, com o objetivo de barrar a abertura do comércio de Teresina, tendo em vista os números alarmantes de pessoas infectadas pelo Covid - 19, que vieram a óbito na capital e nos municípios.

Acompanhe a ação pelo número do processo: 0816196-07.2020.8.18.0140 Comarca de Teresina (Jurisdição), competência - Sub. Fazenda Pública Saúde

O contágio pelo Novo Coronavírus tem se expandido de maneira vertiginosa, no Brasil e no mundo. Na data de 16/07/2020, segundo o site de estatísticas Worldometers, havia 13.900.822 (treze milhões novecentos mil e oitocentos e vinte e dois) casos confirmados de pessoas infectadas, havendo, até o momento, um total de 591.227 (quinhentos e noventa e um mil e duzentas e vinte sete) mortes ao redor do mundo.

No Brasil, também na presente data, atingimos um triste número: as mortes em solo pátrio pela COVID-19 (doença provocada pelo vírus) ultrapassaram as registradas na China, país que foi o primeiro epicentro mundial da doença. Temos 2.012,151 (dois milhões, doze mil, cento e cinquenta e um) casos confirmados oficialmente, e 82.890 (oitenta e dois mil oitocentos e noventa) mortes. Outro recorde nacional a se lamentar são as mortes diárias, que se estabilizou em uma assustadora marca de mais de 1.047 mortes a cada dia, incluindo centenas de trabalhadores. Com a máxima vênia, não é toa, no dia 11/03/2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o contágio do Novo Coronavírus humano como uma “pandemia”, cobrando uma ação dos governos, compatível com a gravidade da situação a ser enfrentada.

Os dados contabilizados pelo Ministério da Saúde revelam que a velocidade de propagação deste terrível vírus no Brasil, repete o padrão dos países que mais sofreram e sofrem com o avanço da Covid-19, como Itália, Espanha, França, Reino Unido e próprio Estados Unidos da América. De acordo com as orientações do Ministério da Saúde, recomenda-se a adoção do isolamento social para as Unidades Federadas, cujo o número dos casos confirmados seja superior a 50% (cinquenta por cento) da capacidade de atendimento dos serviços de saúde disponíveis. Conforme estudo conduzido e divulgado pelo Imperial College de Londres, uma das mais respeitadas instituições de pesquisa da Inglaterra, projeta-se o impacto nacional da pandemia e estima-se mortalidade e demanda dos sistemas de saúde baseado em dados da China e países de primeiro mundo, consideradas estratégias de mitigação e supressão. Estimam os pesquisadores que, em cenário de ausência de intervenções, a COVID-19 resultaria em 7 bilhões de infectados e 40 milhões de mortes globalmente neste ano de 2020. Tal estudo aponta ainda que apenas se pode manter a demanda em níveis suportáveis pelos sistemas de saúde com rápida adoção de medidas de saúde pública para suprimir a transmissão (incluindo testagem, isolamento e medidas de distanciamento social para a população em geral), similar àquelas medidas atualmente já adotadas em variados países.

Nesse cenário, caso a estratégia de supressão seja adotada rapidamente (no marco de 0,2 morte por 100.000 pessoas por semana) e mantida, então 38,7 milhões de vidas poderiam ser salvas, ao passo que 30,7 milhões poderiam ser salvas se aplicadas tais medidas de supressão no momento em que maior o número de mortes (1,6 mortes por 100.000 pessoas por semana), a denotar que o retardo na implementação de medidas de supressão leva a resultados significativamente piores. Assim, o distanciamento/isolamento social é uma estratégia que tem se mostrado mais eficaz no retardamento da velocidade de propagação da doença. Retardar sua velocidade de propagação é a forma disponível de mitigar os impactos sobre o Sistema de Saúde, impedindo ou, ao menos, reduzindo o número de mortes evitáveis, compreendidas também as mortes que decorram não diretamente da doença Covid-19 ou de sua associação a comorbidades, mas de ineficiência no atendimento médico hospitalar. Interromper – ou diminuir – o movimento da população permite ganhar tempo e reduz a pressão nos sistemas de saúde. A Organização Mundial de Saúde, recentemente reforçou que “a última coisa que um país precisa é abrir escolas e empresas, e ser forçado a fechálas novamente por causa de um ressurgimento do surto”.

Além disso, não basta que o isolamento seja parcial, ou “vertical” (isto é, apenas de idosos e pessoas em grupos de risco), pois, se o vírus se espalhar mais rapidamente no resto da população, inevitavelmente chegará aos idosos. Não apenas seria ineficiente, mas impraticável no Brasil, tendo em vista que incontável número de idosos residem muitas vezes com crianças e jovens, sendo inviável separá-los das famílias, que podem trazer o vírus para dentro de casa e contaminá-los. Portanto, a inadequada efetivação do isolamento contraria o que afirmam especialistas e hoje as medidas adotadas por praticamente todos os países. Coloca, dessa forma, a população em grave risco, porquanto a consequência será um maior número de pessoas infectadas em curto espaço de tempo, sobrecarregando o sistema de saúde.

Dados da SESAPI são repassados diariamente referentes aos números de pessoas infectadas, que veem a óbito, que estão nas UTI's:

O Piauí registrou 1.411 novos casos de pacientes infectados pelo coronavírus e 14 mortes pela doença nas últimas 24 horas, segundo o boletim divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde na noite desta terça-feira (28). Agora, são 48.962 casos confirmados e 1.292 óbitos distribuídos entre 123 municípios. Deste total, morreram 750 homens e 542 mulheres.

As seis mulheres que faleceram recentemente são de Amarante (96 anos), Luzilândia (96 anos), Parnaíba (91 anos), Porto Alegre (84 anos) e Teresina (63 e 70 anos). Já os oito homens são das cidades de Água Branca (78 anos), Campo Maior (87 anos), Luzilândia (41 anos), Nazária (93 anos) e Teresina (79, 73, 78 e 79 anos). 

De acordo com o boletim, dos 1.411 casos confirmados da doença, 784 são mulheres e 627 homens, com idades que variam de cinco meses a 97 anos. 

Cristalândia entra na lista das cidades piauienses com casos confirmados do novo coronavírus, aumentando para 220 o número de municípios atingidos pela pandemia, o que representa 98,02% do território piauiense. Apenas quatro municípios não tiveram casos registrados de Covid-19 até agora: Arraial, Canavieira, Jardim do Mulato e João Costa. Dos leitos existentes na rede de saúde do Piauí para atendimeto à Covid-19, há 790 ocupados, sendo 461 leitos clínicos, 315 UTIs e 14 leitos de estabilização. As altas acumuladas somam 2.120 e as altas do dia, 44.