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2020: quase 30% de negociações com empresas têm perda no salário real do trabalhador

A pandemia, a crise financeira e o governo Bolsonaro (ex PSL), dificultam as negociações.

Publicado: 22 Outubro, 2020 - 12h14

Escrito por: Socorro Silva-CUT-PI

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A pandemia, a crise financeira e o governo Bolsonaro (sem partido) fizeram as negociações coletivas piorarem nos últimos dois anos. É o que aponta o Boletim “De olho nas negociações”, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base na análise dos reajustes registrados no mediador, do Ministério da Economia. A pesquisa analisou 4.938 reajustes salariais de categorias com data-base entre janeiro e agosto de 2020 e registrados até a primeira quinzena de setembro.

Em 2020, 28,1% das negociações ocorreram com reajustes abaixo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), em um cenário em que a inflação diminuiu no país. Em 2019, foram 23,9% das negociações abaixo do INPC. No ano de 2018, foram 9,3% das negociações coletivas.

A reposição do INPC ocorreu em 28,9% das negociações deste ano. Os ganhos acima da inflação estão presentes em 43% das negociações, indicando uma queda expressiva em relação a 2018, quando 74,8% das negociações trouxeram reajustes acima do INPC.

“As dificuldades em negociar reajustes salariais durante a pandemia são grandes. Vários acordos ou convenções coletivas explicitaram a crise gerada pela covid-19 como motivo para o adiamento da negociação”, explica o Boletim. Outra consequência da crise foi o aumento do número de categorias que definiram o reajuste em 0% em 2020. Ao todo, foram 373 até 31 de agosto (8,4% do total considerado).

 Fonte: Brasil de Fato.